28 de abril de 2009

Acaso

a.ca.so
sm (a+caso) 1 Acontecimento incerto ou imprevisível; sucesso imprevisto, casualidade, eventualidade. 2 Caso fortuito. 3 Destino, fortuna, sorte.

Não sei se acredito no acaso. Alguns acontecimentos são inexplicáveis demais para não serem e outros são certeiros demais para serem.

O acaso gera problemas ao meu ver. O primeiro é que podemos transferir uma culpa nossa no acaso. Não aconteceu por minha causa, não fiz nada de mais! Foi o acaso! Ou então podemos não nos dar valor. Achar que não foram nossas decisões acertadas que nos levaram a tal ponto, mas o acaso! Que sorte! Não fiz nada para merecer isso!

Também ocorre o fato de não refletirmos sobre um acontecimento, pois ao falar que foi o acaso, está respondido. É como falar que certas coisas são assim como são porque Deus quis.

Porém há encontros que por mais que tentemos encontrar o por quê... simplesmente não há. Como explicar que no meio de tantas pessoas no mundo você encontra o seu verdadeiro amor? Ou então sua amiga-irmã?
As vezes ao andar na rua me pergunto se não posso provocar o acaso. Cada pessoa é uma alguém importante em potencial. Cada desconhecido é a chance de um bom amigo. De um louco amor. Mas falta o acaso que nos uniria.
O tempo não precisa mudar de repente para se puxar assunto no elevador. É só por nas mãos do destino e falar o que lhe vier, ao acaso, na cabeça.

Como explicar?
Como não explicar?

Cada caso é um (a)caso a se pensar.

20 de abril de 2009

Política

po.lí.ti.ca
sf (gr politiké) 1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. 3 Prática ou profissão de conduzir negócios políticos. 4 Conjunto dos princípios ou opiniões políticas. 5 Astúcia, maquiavelismo. 6 Cerimônia, cortesia, urbanidade. (...)

As vezes me pergunto o que diabos é política (ou que negócio do diabo é essa tal de política).
Sim, eu estudo política mas não sei dizer o que ela é. Não, pelo menos, de forma clara, objetiva e, principalmente, breve.

Poderia citar diversos nomes importantes da política e por frases interessantes dos mesmos. Mas isso não diria o que eu vejo como política.
Tanto faz o que os outros acham da política, e principalmente, que Deus ou o Diabo me perdoem, aqueles que já partiram dessa para uma melhor.

Talvez seja, inclusive, uma perda de tempo tentar definir a política, já que tantos fizeram e nada mudou no curso da história. Enfim, falar de política é fácil, difícil é mudá-la.

Como esse blog não vai mudá-la, vou então só me distrair falando dela.
É política o horário eleitoral e é política abaixar o som depois das 22 horas.
É política votar consciente e não conscientemente.
É política ouvir a discussão entre os filhos. (Haja diplomacia!)

Diplomacia, aliás, está intrínseca na política. A malandragem, espero, que não.

Não acredito num mundo sem política. Ela é tão elementar quanto o ar. Tampouco acredito na sua importância. Afinal, quantos se importam?
Se não se importam, não há importância. Por mais importante que seja. (Que paradoxo!)

Talvez política, afinal, seja isso: um paradoxo.
Provavelmente não. Mas talvez sim.
Prefiro concluir que discutir política é que nem discutir religião e futebol. Não existe consenso e todo mundo é parcial.

Quem sabe um dia eu fale sobre Deus?
Bom, acho melhor não.

16 de abril de 2009

última que morre

esperança
es.pe.ran.ça
sf (de esperar) 1 Ato de esperar. 2 Expectativa na aquisição de um bem que se deseja. 3 Aquilo que se espera, desejando. 4 A segunda das três virtudes teologais, simbolizada por uma âncora ou pela cor verde. 5 Entom Nome comum a vários gafanhotos, da família dos Tetigonídeos, os quais possuem asas anteriores verdes, antenas setáceas, geralmente muito mais longas que o corpo. Apresentam o fenômeno do mimetismo. Antôn (acepção 1): desespero. E. em verde: esperanças de realização duvidosa.

Todo mundo já ouviu o ditado "a esperança é a última que morre". Todo mundo já fingiu que riu da piada "esperança é que nem sogra".
Mas eu acredito que a esperança se perde muito antes de várias coisas. Na realidade desconfio que na maioria das vezes só criança, torcedor fanático em copa do mundo e tolos possuem esperança.
O esperançoso está terrivelmente fadado a decepção. Por mais que a pessoa diga "tenho fé de que vai dar certo", ela sempre se prepara para o pior.

Não concordo com meu companheiro Michaelis. Esperança não é antônimo de desespero. Para mim é mais o contrário de aceitação. Quantos são aqueles que não têm mais perspectiva de melhora e simplesmente se conformam? Vivem como os alcóolatras: um dia de cada vez. Sobrevivendo.

Os sonhos ficaram, quase totalmente, para as crianças. E para os tolos.
Talvez por isso tenha começado um blog paralelo, escrito por uma criança.

As vezes sou melancólica demais. As vezes tenho asas nos pés.
Sou dona de uma esperança desconfiada, e a certeza de que minha sogra não vai morrer por último.

7 de abril de 2009

Zilhão

Zi.lhão
(palavra não encontrada no dicionário)

As vezes tenho zilhões de idéias de textos, o que me faz escrever nenhum.
Tem vezes que tenho zilhões de sentimentos, o que me faz ficar sozinha.
O pior é quando tenho zilhões de coisas para dizer, e prefiro ficar em silêncio.

Porém entre zilhões de coisas a pensar, sentir e dizer, uma particularmente me surpreendeu. O zilhão não existe. Não, pelo menos, nos três dicionários que eu consultei. E como a estatística me ensinou a tirar conclusões a base de amostras...
Não, o zilhão não existe.

O motivo que leva a todos entenderem o significado do zilhão é um mistério para mim.
Poderia agora dar um zilhão de exemplos de que sou de fato compreendida, mas creio que essa frase já diz por si só.

Poderia, então, começar a usar o termo imensidão.
Mas imensidão é mar e amor de mãe. Imensidão não combina com problemas.
Poderia usar o termo vários, mas isso não expressa a imensidão do zilhão.

Zilhão é imenso. E imensidão é poético.
Zilhão não existe, assim como a poesia descreve o inexistente e sentível.

Sentível existe?
Deixo a resposta para Guimarães Rosa.

29 de março de 2009

chuva

chu.va
sf (lat pluvia) 1 Meteor Vapor d'água, condensada na atmosfera, que se precipita sobre a terra em forma de gotas. 2 Água que cai das nuvens. 3 Tudo que cai do ar em abundância: Chuva de cinzas. 4 Abundância, ocorrência simultânea e sucessiva de muitas coisas: Chuva de pedidos. 5 Bebedeira, embriaguez. sm gír Indivíduo que se embriaga com freqüência. C.-criadeira, Reg (Nordeste): chuva miúda e contínua. C.-de-caju ou c.-de-rama: chuvas que, no Norte do Brasil, caem em setembro e outubro e favorecem a maturescência dos cajus. C.-de-ouro, Bot: a) planta orquidácea (Oncidium flexuosum), também chamada de canafístula-verdadeira; b) planta ornamental, da família das Leguminosas, subfamília das Papilionáceas (Laburnum vulgare ou Cytisus laburnum). C. de pedra, Meteor: precipitação de granizo; saraiva, saraivada, granizada. C.-dos-imbus: o mesmo que camboeira. Estar na chuva: estar embriagado.

Sempre que chove imagino o que outras pessoas, conhecidas ou não, estão fazendo.
Sempre que chove me imagino em outro lugar, com inveja daqueles que possívelmente lá estão.

Tem vezes que estou na rua, e fico me imaginando em casa, no seco, agasalhada. Talvez embaixo das cobertas vendo um filme, ou então tirando aquela soneca negligente de meio de tarde.
Tem vezes que estou dentro de casa, me sentindo presa. E fico me imaginando na rua, livre, de braços abertos, recebendo infinitas gotas em meu rosto risonho.
Tenho a impressão que a chuva atiça minha imaginação.

Quando ouço o barulho da chuva imagino sempre coisas boas. Ou pelo menos líricas. Nada de enchentes, e desgraças. Talvez por já ter passado por uma.
Quando ouço o barulho da chuva tento imaginar como é a vida de cada gota alcançando o seu fim. Pode ser na calçada ou sobre um guarda chuva lilás de bolinhas em cima de um casal apaixonado.
Tenho a impressão que a chuva atiça minha imaginação.

As vezes ponho a mão para fora da janela só para sentir a vida encostar em mim. Quando criança já cheguei a pensar que a chuva eram lágrimas de São Pedro, por isso poderia sentir sua tristeza se agarrasse cada dor com as mãos.
Imagine que bom seria, se pudessemos dividir a dor com alguém apenas segurando suas lágrimas?
Infelizmente ele continua chorando.
Tenho a impressão que a chuva atiça minha imaginação.


A chuva me traz saudade e lembranças de outros dias chuvosos.
O que fez no último dia de chuva?
Lavou tristezas ou regou alegrias?

Atiça a imaginação.